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1 Mulher

até para nascer temos que dar a volta

1 Mulher

até para nascer temos que dar a volta

agosto de 1978

O cheirinho a fatias de ovo e café entrava pelo quarto bem cedinho e perfumava aquela pequena assoalhada. O quarto de dormir era partilhado com os avós, o que era sempre divertido.

Os raios de luz entravam pelas telhas e pintavam de um colorido dourado as molduras que a avó tinha em cima dos parcos móveis. Molduras com fotos tão antigas, as quais nós não sabíamos muito bem quem eram. O quarto tinha duas grandes camas de ferro, duas arcas impecavelmente vestidas com rendas que a avó tinha feito quando os olhos e as mãos ainda a deixavam “criar”. O guarda-fatos, velhinho, era tão velhinho como os seus proprietários. Ele guardava as recordações de uma vida e as poucas roupas de um casal que viveu humildemente. Algumas delas para ocasiões muito especiais, dizia a avó: “idas ao médico ou dias de festa”.

Eu e a prima rapidamente sáltavamos da cama e corríamos de encontro aos nossos “queridos”.

A fatia de ovo e o café sabiam ao melhor e ao mais farto dos pequenos almoços. Ajudávamos sempre a retirar as canecas de barro da mesa e o avô sempre que íamos fazer recados, dava 25 escudos a cada uma para comprarmos autocolantes. Não gastem tudo, dizia ele. Claro que não era isso que acontecia, chegávamos ao Monte com os bolsos cheios de sonhos.

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